CONTROLE

A equipe AGST utiliza o Manejo Integrado de Pragas para solucionar os obstáculos encontrados na produção de girassol. Primeiramente, vamos entender os fundamentos do MIP. O Manejo Integrado de Pragas busca reduzir a infestação de insetos praga numa determinada cultura, minimizando os efeitos para a plantação e Meio Ambiente, através da mortalidade natural e controle biológico, limitando o efeito do  uso de químicos. Conhecendo bem o sistema do plantio, é possível tomar as decisões adequadas para eliminar as pragas, diminuindo os danos econômicos e ambientais, e podendo elevar a eficácia de produção da cultura.



Manejo Integrado de Pragas na cultura do Girassol


  • Resistência de plantas: a resistência de plantas usa os próprios mecanismos de defesa encontrada na genética da planta para reduzir os danos causados por pragas. A resistência genética oferece uma estratégia alternativa de manejo de pragas, possibilitando a diminuição das perdas econômicas e dos custos dos insumos. Existem três principais mecanismos de resistência de plantas: 

  1. Antixenose: neste mecanismo as plantas não são alvo da preferência alimentar, oviposição ou abrigo para insetos;
  2. Antibiose: as plantas geram efeitos sobre os insetos, tais como mortalidade, redução de peso e tamanho, através das toxinas presentes, e também dos inibidores de crescimento e reprodução;
  3. Tolerância: as plantas possuem capacidade para suportar o ataque das pragas através da regeneração de tecidos ou emissão de novos porfilhos, não implicando em efeitos sobre os insetos. 
  • Para o controle de lagartas: uso de Bacillus thurigiensis e Trichogrammas, para Helicoverpa zea e armigera recomenda-se o uso de armadilha com feromônio.

  • Controle de percevejos:  Telenomus podisi e Trissolcus basalis, são vespas que colocam seus ovos dentro dos ovos do percevejo, basalis preferem percevejo verde e podisi percevejo marrom. Mas controlam percevejo verde, percevejo verde pequeno e percevejo marrom.

  • Controle químico: existem poucos produtos registrados. Para saber mais consulte a página Produtos Registrados.
  • Realizar monitoramento dos níveis de população de pragas: os campos de girassol devem ser avaliados regularmente para determinar os níveis populacionais da praga. Verificar o campo 1 vez por semana é suficiente, mas as amostragens devem ser elevadas em duas ou três vezes na semana, caso o número de pragas estiver aumentando rapidamente ou se o número estiver se aproximando do NDE.
    A amostragem não deve ser realizada em apenas um ponto, mas no mínimo, cinco pontos, num campo de 40 hectares, só assim será possível obter informações precisas sobre a infestação de pragas no girassol e sua densidade populacional. Os pontos de amostragem deve ter, pelo menos, 22 metros em relação à margem do campo para analisar se apenas uma parte ou todo o campo está infestado. Geralmente 20 plantas por ponto de amostragem é o suficiente para a análise.

  • Amostragem: é realizada através da contagem de ovos em brácteas florais no campo, se os ovos forem muito pequenos, recomenda-se o uso de uma lupa. As contagens deverão ser feitas quando no campo a maior parte das plantas estiver no estádio R3.  

Amostragem para ovos de mariposa:
1. Divida o campo em duas seções;
2. Retire amostras do centro de cada seção, que deve ser a aproximadamente 6 metros da margem do campo;
3. Selecione aleatoriamente cinco gomos;
4. Selecione de cada botão seis brácteas do exterior do verticilo, e depois conte os ovos em cada bráctea;
5. Por último, faça a média das contagens de ovos dos cinco botões e de todas as contagens, para posteriormente criar um diagrama com as informações

O Nível de Dano Econômico (NDE) é o número de ovos por seis brácteas, considerando o  custo do tratamento, preço de mercado e população de plantas por hectare.

NDE = C
V x PP (0,4) x 0,00078
V = Valor de mercado
PP = população de plantas por hectare
Custo C = Tratamento
Exemplo:
C = R$ 8, V = R$ 0,13 e PP = 40000 ->  
8/ 0,13 x 16.000 x 0.00078 
O NDE é 4,9 ovos por seis brácteas.


Amostragem para mariposa adulta:
A amostragem deve ser realizada a partir de 22 metros das margens do campo. Deve-se contar todas as mariposas presentes em 20 plantas por ponto de amostragem, em 5 pontos aleatórios e na fase R3 das plantas, que ocorre geralmente no fim de julho. Durante o dia as mariposas descansam nas superfícies da plantas de girassol, podendo ficar na parte superior ou inferior das folhas. Quando são perturbadas, elas migram de planta para planta. Utiliza-se a média do número de mariposas encontradas para tomar a decisão do controle a ser seguido. O NDE é o número de mariposas que vão resultar em danos com um valor igual ao custo do tratamento. Para o cálculo do NDE usaremos a seguinte fórmula, com base nos custos de tratamento, população de plantas e preço de mercado:



Exemplo:
Custo do tratamento = R$ 8
Valor de mercado = R$ 0.13
População de plantas por hectare = 50.000
NDE = [((8/0,13)/20.000) x 582,9] - 0,7 = 1,09 mariposas por 100 plantas.



Fonte:  Integrated Pest Management of Sunflower Insect Pestsin the Northern Great Plains