PRAGAS

Na fase inicial da cultura do girassol, que compreende semeadura e germinação, os insetos-praga considerados mais importantes são a larva do besouro-do-girassol e lagarta-rosca, . Na época de florescimento, os maiores danos são causados por lagartas desfolhadeiras como por exemplo a falsa-medideira, lagarta-da-soja e lagarta-do-algodão, além de alguns besouros, entre eles a vaquinha. Na fase de frutificação, que vai de 70 a 150 dias após plantio, os percevejos e o adulto do besouro-do-capítulo são as pragas mais importantes. Estes percevejos, podem por vezes estender-se até a fase de colheita, alcançando 165 dias após plantio da cultura.



LAGARTAS
As principais lagartas da cultura do girassol são:

  • Chlosyne lacinia saundersi (Lagarta-do-girassol): Borboleta de coloração preta com asas anteriores de coloração preto-alaranjada, com 40 mm de envergadura. A deposição dos ovos é feita na face abaxial das folhas; as lagartas vivem cerca de 20 dias, são de coloração preta e recobertas por pelos e vivem agrupadas. As pupas são suspensas e apresentam coloração amarela, tendo essa fase duração de uma semana. Apresenta ciclo total de 42 a 45 dias. Tem como hábito o ataque das folhas e caule; o ataque da lagarta-do-girassol aos 50 e 70 dias de idade das plantas reduz em até 80% a produção e em caso de ocorrência severea, pode inviabilizar complentamente a produção. É considerada a praga mais importante da cultura. Segundo Arlindo Leal Boiça Junior, professor doutor da Faculdade de Ciências Agrárias Veterinárias UNESP Jaboticabal, "Os métodos mais adequados para a avaliação da infestação de cultivares de girassol para C. lacinia saundersii são a porcentagem de plantas atacadas e o número de lagartas por metro linear de plantas", dados de seu trabalho publicado em 1993.

  • Helicoverpa zea: a lagarta adulta mede 35mm, tem coloração verde claro, rosa marrom ou quase preta, as pupas são de cor marrom avermelhada e encontradas no solo. Os ovos são depositados individualmente, até 15 por espiga, período larval de 13 a 25 dias. O período pupal de 10 a 15 dias para que o ciclo se complete são necessários de 30 a 40 dias.


  • Helicoverpa armigera: os ovos tem cor branca e amarelada, tornando – se marrom escuro, próximo a eclosão da larva, a coloração das lagartas depende da alimentação. O ciclo dura em média de 30 a 60 dias, passando pela fase de ovo, larva, pupa e adulto. Os ovos são colocados isolados ou agrupados nas folhas durante a noite, de 300 a 2000 ovos. Larvas eclodem de 5 a 7 dias depois, período larval varia de 17 a 35 dias.

  • Rachiplusia nu (Falsa-medideira): São mariposas de coloração predominantemente marrom com desenho prateado nas asas anteriores semelhante à letra “Y”, e 30 mm de envergadura. A deposição dos ovos ocorre na face inferior da folha de forma isolada, os ovos são achatados de coloração verde-clara. As lagartas desfolhadeiras apresentam cor verde-claro, com duas linhas brancas ao longo do corpo e possuem três pares de falsas pernas. Ao completar o ciclo as lagartas formam um casulo de seda nas folhas ou no caule. Atacam as folhas destruindo o limbo foliar deixando apenas as nervuras principais. Não ocorre com muita freqüência na região Centro-Oeste, mas com o avanço da cultura é previsível que haja sua presença nas safras seguintes.



  • Agrotis ipisilon (Lagarta-rosca): São as mariposas com asas anteriores de cor marrom e posteriores semitransparentes, com 35 mm de envergadura. Postura realizada nas folhas, em média 1000 ovos. As lagartas tem coloração pardo-acinzentadas escuras, com hábitos noturnos, e durante o dia abrigam-se no solo, ficando enroladas. Em plantas novas, essas lagartas podem atacar as raízes do girassol e cortar o caule rente ao solo, causando graves prejuízos às plantas.



  • Anticarsia gemmatalis (Lagarta-da-soja): Esta é uma importante praga da soja e poderá transformar-se, também, em uma das mais importantes da cultura do girassol, pois consegue alimentar-se das folhas e danificar também os capítulos. Até o presente momento, o ataque observado não é severo, porém, é um inseto-praga que preocupa, pois apresenta boa adaptação e já possui resistência a vários inseticidas utilizados.
BESOUROS
Os principais besouros que geram danos à cultura do girassol são:
  • Cyclocephala melanocephala (Besouro-do-capítulo/do girassol): Em suas fases juvenis (ovo, larva e pupa), vivem no solo. Logo após a eclosão das larvas, começa a alimentar-se das raízes das plantas hospedeiras, retardando seu crescimento e prejudicando a produção. Na fase adulta, alimenta-se dos capítulos e das sementes do girassol. Na região Centro-Oeste, onde atualmente concentra-se a maior produção da cultura, esse inseto tem maior importância nos meses de janeiro a março, embora no começo das chuvas (outubro) já seja facilmente encontrado. O besouro tem cerca de 11 mm de comprimento com a cabeça e o prototórax de coloração vermelho-ferrugíneo. A postura é feita no solo e as larvas são esbranquiçadas, com a cabeça marrom, apresentam três pares de pernas torácicas, e escarabeiforme.

  

  • Diabrotica speciosa (Vaquinha): É uma praga importante tanto na fase de larva, quanto na fase adulta, sendo mais relevante os adultos. São caracterizadas por atacarem as folhas, perfurando-as, caule e capítulos. As larvas também precisam ser monitoradas, uma vez que, a exemplo de outras culturas, como o milho, podem tornar-se prejudiciais se atacarem as raízes das plantas. O besouro apresenta coloração verde, com 5 a 6 mm de comprimento, cabeça castanha e manchas amareladas no élitro.



  • Astylus variegatus (Angorá): As larvas do besouro possuem cor marrom escura com alguns pêlos esparsos pelo corpo. Os adultos medem 8 mm, e alimentam-se de pólen, possuem élitros de coloração amarela com pintas pretas. Atacam as raízes na fase de larva e danifica as folhas e caule na fase adulta. Entretanto, é muito importante ficar atento para a possibilidade do ataque também às raízes e sementes do girassol antes e após a germinação o que pode causar falhas no estande da cultura e perda na produtividade.


      PERCEVEJOS
Os principais percevejos que geram danos à cultura do girassol são:
  • Nezara viridula (Percevejo-verde): Este percevejo ao contrário da soja, que é a principal planta hospedeira dessa espécie, não tem sido observado ataques a semente do girassol, mas sim o caule. O adulto possui cerca de 15 mm e uma coloração verde uniforme. A postura da fêmea é feita na face abaxial da folha, e são depositados aproximadamente 100 ovos por postura dispostos de forma hexagonal. Como tem-se uma população desse percevejo maior entre os meses de dezembro e março e o plantio do girassol geralmente é feito em fevereiro, o maior cuidado deve ser tomado nos primeiros 30 dias após a germinação. Além disso, temos esse período como o de maior vulnerabilidade da cultura, não só para o percevejo-verde, mas também para várias outras pragas.



  • Edessa meditabunda (Percevejo-asa-preta-da-soja): Os adultos possuem cerca de 13 mm, de coloração verde, porém possuem asas de coloração escura e a face inferior mais pernas e antenas de coloração marrom amarelada. A postura de ovos é feita em fileira dupla nas folhas do girassol.



  • Euschistus heros (Percevejo-marrom-de-soja): Os adultos medem 1 cm de comprimento e apresentam coloração marrom, possuem dois "espinhos" laterais e uma mancha clara dorsal em forma de meia-lua. A postura dos ovos é feita em pequenos grupos. Estes insetos danificam os capítulos das plantas de girassol.



  • Piezodorus guildinii (Percevejo-verde-pequeno da soja): Responsável por atacar principalmente o capítulo, na fase de frutificação do girassol. O adulto mede 10 mm e tem coloração verde com uma faixa vermelha ou amarelada sobre o protórax. A oviposição se dá em duas fileiras e os ovos apresentam uma coloração escura.


  • Scaptocoris castânea (Percevejo-castanho): Esta é uma praga polífaga, que ataca a raiz da planta de girassol, sendo de difícil controle e que pode causar grandes prejuízos. O adulto mede 8 mm, tem coloração amarronzada e suas pernas são do tipo fossoriais. Na época das chuvas podem ocorrer revoadas destes insetos. O monitoramento do inseto no solo por ocasião do preparo, é a maneira mais adequada de prevenção. Seu controle é bastante difícil devido à profundidade que pode atingir e permanecer no solo e deve ser preventivo por ocasião do plantio, com tratamento das sementes ou do sulco, embora nenhuma das medidas de prevenção seja completamente eficaz. Em solos com histórico da presença do percevejo-castanho, recomenda-se o preparo com aração e gradagem. É importante, igualmente, evitar plantas daninhas hospedeiras durante o ciclo vegetativo da cultura e entressafra.




  • Xyomisius californicus (Percevejo): É um percevejo que ataca o capítulo dos girassóis. Em certas regiões, que possui baixa população, não chega a ser praga importante embora na região Centro-Oeste, produtores de girassol têm registrado danos significativos, causados por esse inseto, o que implica na perda de produtividade, e consequentemente, lucro ao produtor.